Grito de Silencio
  

Dizer o que se quer dizer nem sempre é possível. Fazer o que se quer fazer nem sempre é permitido. Chorar por quem se quer chorar nem sempre é aconselhável. Morrer de amores por quem se quer morrer muitas vezes é inaceitável. Voar por jardins inalcansáveis, atravessar oceanos inxploráveis, viver amores que jamais poderão ser revelados em público, gritar nomes de quem jamais vai te ouvir e você ter conciência disso. Tudo isso são gritos escandalosos que o silêncio guarda. É exatamente disso que eu quero falar, quero abrir os meus e os seus olhos, quero voar no meu céu azul ou cinza sem ter medo de dar topada com um avião. Quero ter meu mundo cor de rosa sim, e ninguém tem nada a ver com isso. Quero simplesmente poder chorar por todas as pessoas que eu quizer, amar a todos que eu puder, dizer tudo que eu quizer dizer e fazer tudo que eu puder fazer. O que der vontade, o que aparecer. Se der saudade de ser lagarta de novo eu volto pro casulo e faço o processo inverso. Mas enquanto isso a borboleta quer ficar livre no jardim. E ninguém pode reclamar, porque antes a lagarta não queria entrar no casulo, mas a jogaram lá e disseram:"Ta na hora de crescer", ai agora ela saiu, de um jeito que ninguém esperava. Saiu com asas grandes e com vontade de voar. Saiu sabendo diferenciar o bom e o ruim, pelo menos pra ela, e saiu com muita, mas muita vontade de viajar pelos jardins mais diferentes do mundo, se não der pra ir com alguém ela vai sozinha mesmo. Então não reclama e aguenta a borboleta!



Escrito por borbolet às 15h32
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